Educação Emocional: a real demanda

Educação Emocional

A primeira década do século XXI exigiu de nós uma profunda adaptação. A entrada das Novas Tecnologias trouxe-nos novas formas de viver, de trabalhar e de nos conectarmos uns com os outros. Trouxe-nos também alterações profundas nas relações, nas dinâmicas sociais e familiares. Foram tantas as alterações que ainda hoje nos estamos a tentar adaptar… E porque tudo está em transformação, uma nova demanda surge: a Educação Emocional!

 

A segunda década

O ano 2020 está já a espreitar e nesta fase sinto que ainda não temos consciência daquilo que estes tempos representam… mas creio que irão ficar para a história.

Podemos dizer que estes últimos anos se apresentaram desafiantes e exigiram muito trabalho da nossa parte. Fomos confrontados com desafios, crises e situações que exigiram que nos transcendêssemos e descobríssemos coisas em nós para fazer face a novas situações. Este processo de autodescoberta e superação a nível pessoal é extraordinário porque permite que nos reinventemos e adaptemos. Este é na verdade um mecanismo de sobrevivência dos humanos.

Sei que, tal como no século passado, estes são tempos de grande mudança e transformação. Atrevo-me mesmo a dizer que esta década de anos 20 que se avizinha será tão disruptiva como a do século anterior. No entanto, nesta não serão as alterações no mundo da moda e na indústria automóvel que ficarão para a história. Nem o pós guerra… Serão antes mudanças de autoconsciência, inteligências múltiplas e educação emocional.

Creio que neste terceiro milénio o tema é o Indivíduo, o Ser Humano. Na primeira década, limpamos o que trazíamos a mais do milénio anterior. Nesta segunda, fomos à escola, aprender as regras destes Novos Tempos. Na terceira, estaremos prontos para começar a viver o terceiro milénio de acordo com as suas próprias dinâmicas e regras.

 

Que regras nos traz a próxima década?

Eu penso que a primeira grande regra é: fazer tudo para viver uma vida equilibrada e feliz. Acho que já todos percebemos que, com o aumento da esperança média de vida, a nossa existência no planeta é cada vez mais longa. Neste terceiro milénio vive-se muito tempo e é importante que esses anos sejam vividos de forma equilibrada e feliz. E, como vivemos mais, podemos também aprender a fazê-lo de forma mais saudável, para isso a educação emocional é fundamental.

A cultura do esforço, das condições de vida difíceis, das lutas e reivindicações, da linguagem negativa e acusadora, já não funciona nestes tempos.

O exemplo disso é que os jovens e as crianças não entendem esse discurso. Como não viveram esses tempos, dificilmente conseguem ter uma representação mental e emocional para perceber esse discurso.

Estes jovens são, no entanto, afetados por outras situações das quais ainda não estamos totalmente conscientes.

Os grandes desafios da atualidade para os jovens são:

  • A falta de modelos parentais adequados,
  • A ausência dos arquétipos paternos ou maternos no seu crescimento,
  • Duas casas (ou mais) mas nenhum lar,
  • Défice de atenção e falta de disponibilidade por parte dos pais,
  • Solidão e ausência de diálogo,
  • Falta de referências do que é um casal ou uma relação feliz,
  • Excesso de exposição nas redes sociais,
  • Ausência de modelos inspiradores saudáveis,
  • Falta de competências para estabelecer uma relação “ao vivo”,
  • Carência de Educação Emocional.

Estas são algumas das coisas que assolam os jovens de hoje e que geram situações que nós adultos ainda estamos a aprender a resolver. E se virmos bem, estas situações não se assemelham com aquelas que foram vividas no século anterior ou em décadas anteriores. Para lidar com estas novas situações temos que aprender a ser Novos Indivíduos. Somos nós, os adultos, que temos que aprender e fazer o esforço para nos adaptarmos, pois este é o tempo das novas gerações. Cabe-nos então a nós, adultos responsáveis, tudo fazer para que estas gerações sejam felizes e assim contribuam para a construção dum mundo melhor.

Ver as coisas sob este ponto de vista talvez nos ajude a perceber por que razão somos nós a ter que fazer este esforço de adaptação a uma nova realidade… e não eles.

 

Vejamos então:

  1. Esta realidade é nova para nós. Como toda a novidade, exige que nos adaptemos a ela aprendendo novas competências, novas formas de Ser, Estar e Fazer.
  2. A história mostra-nos que nunca houve tempos sem evolução. Sempre há mudanças e novidades, um novo caminho a ser percorrido e de nada adianta resistir.
  3. A história mostra-nos também que há momentos imprevisíveis, caminhos e rumos que as gerações anteriores não souberam prever… Há momento em que se exigem ‘saltos de fé’ porque o tema é simplesmente de disrupção. O ‘velho’ acaba para dar lugar a uma ‘nova’ realidade.
  4. As novas gerações são como um GPS que nos orienta. São eles que nos  mostram o que precisamos de aprender e como podemos fazer face aos desafios que se avizinham.
  5. E, nesse futuro, que é já presente, a educação emocional e a saúde relacional são pilares incontornáveis!

 

Os Jovens e o Novo Mundo

Os jovens de hoje serão os adultos de amanhã. Logo, serão eles que vão construir um Novo Mundo. Sabendo disso, a Educação Emocional é absolutamente imperativa pois serão eles os líderes do amanhã. São eles que vão gerir o nosso legado e tudo aquilo que agora for construído com a nossa ajuda. Creio que assim é mais fácil perceber se estamos a fazer tudo o que podemos para alcançar aquele futuro que tanto desejamos – cada vez mais harmonioso e feliz!

A nossa responsabilidade nos dias de hoje é imensa e exige que estejamos atentos a tudo o que pensamos, sentimos, falamos ou fazemos, porque dessa forma percebemos se isso é coerente com a vida que queremos construir. Muitas vezes, por medo, falta de coragem para sair da nossa zona de conforto ou apenas por falta de conhecimento, tentamos perpetuar o passado na nossa vida presente. Vejo muitas pessoas a viver as suas vidas desejando o que tinham no passado, a falar do que foi e de como eram… Como é possível construir um Futuro olhando para trás?

 

Os Novos Tempos

Os novos tempos virão para todos nós, e serão vividos com responsabilidade e satisfação desde que façamos o que precisa de ser feito. Para que assim seja, invistamos todos numa crescente educação emocional!

Como os jovens e as crianças de hoje são os ‘sábios de amanhã’. Temos que garantir que cuidamos da sua saúde física e emocional, e garantir que lhe damos o necessário para empreender a sua jornada de vida com a maior satisfação. Neste processo coletivo de crescimento e adaptação, ao fazermos a nossa parte, acabamos por sentir prazer e satisfação na nossa própria jornada, pois isso exige que diariamente sejamos a nossa melhor versão.

Tudo está em transformação, a nossa linguagem e a forma como comunicamos e relacionamos não são exceção. Acredito que as palavras desta nova década serão: Entendimento, Cooperação, Acolhimento, Respeito, Sustentabilidade, Satisfação, Paz, Integração, Colaboração e AMOR.

O meu trabalho é fazer com que estas palavras entrem no nosso vocabulário e que façamos delas a Nossa Realidade, repleta de boas emoções e excelentes relações!

 

Ana Raquel Veloso então porque como e então porque como
Fundadora da Academia de Fitness Emocional então po

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